Review: Kengan Ashura

Kengan Ashura é como ver duas máquinas lutando num jogo de luta, ela sempre pode ganhar de você, mas quando duas se enfrentam, a luta ou é uma completa bagunça, ou é absolutamente épico — e isso pode resumir bem o que Kengan Ashura significa a todos que amam brigas intensas, ossos quebrados e sangue jorrando.

A obra foi lançada em abril 2012 e produzido por três pessoas, o mangaká Yabako Sandrovich, o ilustrador Daroemon e o editor Sho Kobayashi, e tem como foco principal lutas com artes marciais, com diversos personagens que praticam diferentes estilos e que batalham no Torneio Kengan. O mais irônico disso é que tanto Sandrovich quanto Kobayashi já possuíam anos de experiência com artes marciais, fazendo com que Daroemon sofresse nas mãos de seus colegas para produzir o material de forma mais fiel possível às artes marciais da realidade.

Logo no início da história, conhecemos Kazuo Yamashita, um empregado da Publicadora Nogi que há 34 anos trabalha, perdeu a esposa e se vê como um estranho quando interage com seus filhos. Ele se sente um fracassado, sendo até humilhado por seu superior, porém, um dia, Yamashita vê duas pessoas num beco prestes a brigarem, um rapaz magro e um homem gigante musculoso demais para ser chamado de “humano”.

Para sua surpresa, o magrinho ganha e depois revela que seu nome é Tokita Ouma, chamando então Yamashita para trocar soco. Evitando sua possível morte, o senhorzinho recusa e retorna à sua vida normal, até ser chamado pelo CEO da Publicadora Nogi, que o ordena q virar secretário de Tokita Ouma para as partidas Kengan e futuramente ganhar uma vaga para o Torneio de Aniliquilação Kengan, onde os lutadores mais fortes se enfrentarão para decidir quem será o próximo presidente da Associação Kengan.

Bom, depois de repetir a palavra “Kengan” tantas vezes, vamos falar sobre o que essa história realmente quer contar: lutas. Kengan Ashura é uma história que é contada de maneira muito simples e, creio eu, todos já devem ter consumido alguma vez um caso similar — a obra se baseia em colocar diversos personagens num mesmo torneio e deixá-los brigando, usando o tempo da luta para revelar seu passado, motivação e técnicas. É extremamente formulaico e até saturado, no entanto, essa obra faz isso ser como um show aos olhos por conta da arte, da coreografia, dos ângulos e da emoção causada pelo impacto dos golpes dos personagens, pelas esquivas, pelas coisas ridículas e extremas que acontecem.

A trama é fácil de consumir, tornando-se um colírio nos olhos para quem quer ler algo sem pensar muito e também sendo perfeito para aqueles que querem uma fonte extremamente boa para estudarem como lutas são. Claro, devo abordar que há muitas gotas de ficção no meio, mas o nível de força dos personagens não é do tipo que poderiam derrubar um prédio ou evitar um tiro na cabeça.

No entanto, há uma falha na história, ela só fala de lutas. O único foco explicíto a ser ressaltado fora esse seria o desenvolvimento interno dos personagens, em especial o de Yamashita, que conforme os capítulos passam, se torna mais confiante e menos medroso dos outros incríveis lutadores ao seu redor, adquirindo rapidamente o respeito de Ouma e dos demais personagens por ter uma perspicacia e uma força mental tão absurda, mesmo que às vezes ele nem saiba o que está fazendo.

Tirando esses pontos, a história não tem outro desenvolvimento significativo, e mesmo possuindo a moral bonita de “Buscar alcançar seu objetivo independente do que aconteça”, ela começa a parecer forçada conforme o personagem literalmente começa a se matar para atingir o que deseja.

É uma obra muito interessante, apontando os olhos para diversas culturas nas artes marciais e como cada uma delas atuam em sua terra de origem, porém peca quando falamos de mensagens profundas, de narrativas complexas que dão um gosto de quero mais, pois essa história passa a enjoar em pouco tempo, e quando se chega ao final, talvez você não queira ler mais sua continuação, Kengan Omega.

Zunnichi
Zunnichi
Artigos: 1

Deixe um comentário